segunda-feira, 19 de março de 2012

Arquitectura Romântica Portuguesa – Palácio Nacional da Pena




O Romantismo utilizou inovações técnicas, mas numa verdadeira fuga ao real, elege revivalismos e orientalismos, como se verifica nas construções românticas, um pouco por toda a Europa.
Os gostos voltam-se para o passado, valorizando, essencialmente, a Idade Média e os estilos artísticos que a caracterizam, utilizando-os como reflexo dos nacionalismos emergentes – Portugal adopta o Neomanuelino como estilo nacional.




Na arquitectura esta tendência desenvolve-se com o impulso de dado por D. Fernando II, marido de D. Maria II, ao iniciar a construção do Palácio Nacional da Pena.


Palácio Nacional da Pena


É o mais admirável exemplar de arquitectura portuguesa do Romantismo.
Em 1839, o rei consorte D. Fernando II de Saxe Coburgo-Gotha (1816-1885), adquiriu as ruínas do Mosteiro Jerónimo de Nossa Senhora da Pena e sonhou com a sua adaptação a palacete, conservando os claustros,a capela quinhentista e alguns anexos.



 




O projecto foi encomendado ao germânico, engenheiro de minas e amante de arquitectura, barão de Eschwege.





 
Segundo a «Enciclopédia dos Lugares Mágicos de Portugal» («D. Fernando certamente viu em Eschwege, para além de uma experiência vivida e uma proximidade linguística que muito ajudava a resolver os problemas do projecto, a flexibilidade e a adaptabilidade necessárias para ceder às idiossincrasias do príncipe, que queria ali fazer o «seu» palácio, quase que partilhando a autoria.


 


Por outro lado, a cultura do barão de Eschwege, que privara com von Humboldt e Goethe quando das suas viagens pela Europa e que conhecia as dissertações de Schlegel quanto à sublimidade do gótico e da sua suposta relação com a natureza, dir-lhe-iam mais do que a de um prático (embora 
competente) arquitecto português.»


O local escolhido, pela sua Natureza, é romântico por excelência, pelo que tem de acidental, assimétrico, incompleto e imperfeito e ainda naquilo que representa de espontaneidade em relação à ordem.


 


Extremamente fantasiosa, a arquitectura da Pena utiliza "motivos" neomouriscos, indianos, neorenascentistas, neogóticos e neomanuelinos, tudo imbuído do espírito romântico da época.
O rei interveio de forma determinante na construção do palácio, ficando a dever-se ao seu ecléctico e excêntrico temperamento muitos dos detalhes decorativos e simbólicos.






 



O rei, que também era pintor e cantor foi o responsável, pelo desenho, que fez reproduzir, na fachada norte do Palácio, de uma imitação da janela Capítulo do Convento de Cristo em Tomar.






A mistura de estilos que apresenta é intencional, pois a mentalidade romântica do século XIX tinha uma particular atracção pelo exotismo e ecletismo.






 


Todas as torres, excepto a do Relógio têm cúpulas. Os motivos de inspiração foram colhidos em fontes mouriscas, mudéjares e em quase todas as obras manuelinas: Torre de Belém, Jerónimos, Convento de Cristo e Palácio da Vila.




Representa uma das melhores expressões do Romantismo arquitectónico do século XIX no mundo, sendo o primeiro palácio nesse estilo na Europa, erguido cerca de 30 anos antes do carismático Castelo de Neuschwanstein, na Baviera.








Em torno do Palácio Nacional da Pena, ocupando uma área de cerca de duzentos hectares, o Parque da Pena é o resultado das tendências intelectuais e artísticas da época do Romantismo.
 
Todo o seu traçado e plantio estão impregnados pela imaginação: recantos de verdura, trechos de paisagem que a par e passo se vislumbram, árvores em manchas contrastantes, lagos, locais de descanso, caminhos ondulantes, afloramentos de enormes rochedos e fontes.

O resultado do conjunto foi descrito por Richard Strauss, quando da sua visita a Sintra: ”Hoje é o dia mais feliz da minha vida. Conheço a Itália, a Sicília, a Grécia e o Egipto e nunca vi nada que valha a Pena. É a coisa mais bela que tenho visto. Este é o verdadeiro jardim de Klingsor – e, lá no alto, está o castelo do Santo Graal”.





domingo, 26 de fevereiro de 2012

Arquitectura Historicista e Ecléctica





A arte do Romantismo é formada por um feixe heterogéneo de estilos, como uma reacção ao equilíbrio, impessoalidade, racionalidade e sobriedade do classicismo. 


O Romantismo afastou-se das frias regras da arquitectura neoclássica e dos princípios da ordem, proporção, simetria e harmonia que a caracterizam e foi influenciado pelos valores do sentimento. Deu preferência aos aspectos mais de acordo com a mentalidade romântica, como a irregularidade da estrutura espacial e volumétrica, os efeitos de luz, o movimento dos planos, o colorido da decoração, enfim, características que provocassem o encantamento, estimulassem a imaginação, convidassem ao sonho, evocando realidades diferentes, distantes ou imaginárias. 

Burg Hohenzollern, Baden-Württemberg, Deutschland - 1819.O edifício é um típico representante do neogótico.  

Assim na época romântica houve a tendência para regressar aos estilos do passado, através da arquitectura historicista e ecléctica. 

A arquitectura historicista (ou revivalista) é o nome dado a um conjunto de estilos arquitectónicos que procurou recuperar e recriar a arquitectura dos tempos passados. Na arquitectura europeia a tendência revivalista surgiu no século XVIII, atingiu o seu apogeu no século XIX e prolongou-se até meados do século XX. 

O romantismo literário evocava o espírito da idade média, despertando o interesse pela arquitectura gótica. 
Casas do parlamento 1836/68 - Charles Barry. Londres 



 
Parlamento de Budapeste em estilo Neogótico 
 
 
Edifício da câmara de Stekene, Bélgica,em estilo neogótico 

O restauro viveu um período de intensa actividade, e construíram-se em estilo neogótico, não só igrejas como diversos edifícios civis, entre os quais estações de caminho de ferro.

 
Igreja Votiva em Viena (Áustria) 


 
Rijksmuseum (Amesterdão), 1877 (um exemplo de arquitectura neogótica)

O medievalismo da época romântica não constituiu só uma reacção contra a rigidez da arte neoclássica. Uma das significações mais profundas é a do protesto dos povos do Norte, em especial, Inglaterra e Alemanha, contra o domínio da arte mediterrânica e todos os estilos desenvolvidos a partir da antiguidade clássica.

 
Munich - Marienplatz 1831–1839 

 
Neogótico: Town Hall, em Manchester.
Projeto: Alfred Waterhouse, 1868. 

Mas além do priincipal estilo historicista, o neogótico, surgiram muitos outros: o neo-românico, o neo-renascentista, o neobizantino, o neobarroco, o neo-islâmico e até o gosto pelas culturas exóticas orientais.

   
Castelo de Neuschwanstein, um imponente palácio em estilo neo-românico

   
   
J. L. Charles Garnier - Opéra, Paris, France, 1861–1874. Estilo neobarroco

Também se apontam outras razões para a implementação e difusão do historicismo, como a incapacidade de desenvolver uma arquitectura original e a necessidade que sentiam as novas instituições e as novas classes dominantes de enobrecer-se com o prestígio das formas arquitectónicas do passado.
 
Museu de História Natural de Londres em estilo neogótico , com aspectos neo-românicos - 1880 - arquitecto Alfred Waterhouse 

O movimento revivalista andou associado à arquitectura ecléctica, que incorporava vários estilos. O ecletismo arquitectónico caracterizou-se por misturar estilos antigos, sem a rigorosidade da arquitectura revivalista propriamente dita, que era mais fiel a um só estilo. Apesar de empregarem formas do passado, tanto a arquitectura historicista como a eclética usaram técnicas modernas como as estruturas de ferro e, depois de cimento. O recurso ao passado é assumido nos aspectos decorativos.

O ecletismo arquitectónico busca o exótico e exaltação do passado, recorrendo aos estilos que achar mais adequados para esse fim. 
 

JOHN NASH, Royal Pavilion, Brighton, England, 1815–1818. Este capricho oriental de Nash é uma fusão dos estilos chinês, hindu, islâmico e bizantino. 

Muitas vezes os estilos historicistas integraram-se em movimentos de valorização e concepção da história nacional, adoptando um carácter nacionalista, com aconteceu em Portugal, tema que será tratado na próxima mensagem.