Em Portugal o processo de instauração do romantismo foi demorado e confuso. Enquanto o romantismo francês tinha atingido o pleno desenvolvimento e o realismo já começava a tomar forma, o romantismo português procurava ainda afirmar-se.
A implantação do romantismo em Portugal ocorreu num contexto socio-político complexo. São os anos posteriores às invasões francesas, o refúgio da corte portuguesa no Brasil e é também o tempo em que o desejo de independência dessa colónia ganha força. Na metrópole germinavam os ideais liberais.
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Travam-se as lutas civis entre miguelistas e liberais, o que levou muitos partidários de D. Pedro ao exílio em Inglaterra e França. Dois desses partidários eram os jovens escritores Almeida Garrett e Alexandre Herculano. Foi longe da pátria que estes autores conceberam a ideia de criar uma literatura nova, de carácter nacional e popular.
Em 1825 Garrett publicou o poema Camões que passa a ser considerado o ponto de partida para o romantismo português, na literatura.
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Garrett - Domingos Sequeira
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Em Portugal, o romantismo, tal como na Europa, manifestou-se também na pintura e na arquitectura. A evolução, na pintura, do neoclassicismo para o romantismo foi lenta e tormentosa, só tardiamente ganhou expressão entre nós.
Domingos Sequeira, inicia a transição do Neoclassicismo para o Romantismo, em sintonia com o que de mais moderno se fazia no continente, começando relativamente cedo o percurso romântico, simbolizado por alguns retratos e pela série sobre a vida de Cristo, realizada entre 1827 e 1832, em que demonstra um domínio magistral da luz.
Os restantes artistas, em consequência da instabilidade vigente, só mais tarde conseguem aderir à nova estética que surgiu como resultado do amor que tinham à natureza. Claramente afastada dos princípios académicos, desenvolve uma sensibilidade, baseada na pintura de costumes populares e paisagens, quase bucólica, que de certo modo se aproxima do futuro Naturalismo.
Vários pintores se destacaram, mas Auguste Roquemont foi o primeiro a fixar na tela, cenas de costumes populares. Tomás da Anunciação, João Cristino da Silva, Leonel Marques Pereira, Luís de Meneses, Leonel Marques Pereira, Miguel Ângelo Lupi e Metrass são outros nomes importantes da pintura romântica. Este último, Metrass, traduz nos seus quadros uma nova situação sentimental, com um dramatismo ao mesmo tempo empolgante e mórbido. O melhor exemplo desse gosto é o célebre Só Deus, considerado por alguns a mais poderosa imagem do romantismo português.
A pintura “romântica” portuguesa, não tem o pathos romântico de outras, assim como a temática mística, poética e de ruínas está ausente. É neste argumento que se funda a opinião de alguns autores, que olham para este ciclo como um pré-naturalismo.
Auguste Roquemont (1804 – 1852)
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Auto Retrato com 19 anos - MN Soares dos Reis ou MNSR |
Roquemont é conhecido pelos excelentes retratos que executava e alguns quadros de costumes. Vai marcar profundamente a primeira geração de pintores românticos.
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Retrato de Camilo de Macedo - M N Arte Contemporânea ou Museu do Chiado
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Estes foram influenciados pelo realismo, com que Roquemont tratava os seus retratos e, pela grande novidades introduzida na pintura portuguesa, os quadros de paisagem e de costumes – um dos temas preferidos do Romantismo
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Chafariz de Guimarães - MNSR
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Tomás da Anunciação (1818 – 1879)
Foi praticante de desenho no Museu de História Natural, onde a sua vocação como paisagista e animalista se formou.
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O Sendeiro - 1856, MNAC
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O vitelo - 1873 - Museu do Chiado
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Quando a Academia de Belas-Artes abriu, em 1836, Anunciação, então com 19 anos, foi dos primeiros a matricular-se acabou por se dedicar à pintura de animais.
João Cristino da Silva (1829 -1877) -
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Auto-retrato - 1854 - MNAC
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Artista ligado ao Romantismo, ficou conhecido como um pintor de paisagem. Foi autor de Cinco Artistas em Sintra, terra do romantismo de D. Fernando e do seu Palácio da Pena. Com este quadro de 1855 alcançou grande sucesso. A obra é uma obra emblemática do Romantismo português.
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Cinco Artistas em Sintra - 1855 - MNAC
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Representa a primeira geração formada na Academia de Belas Artes de Lisboa (criada em 1836), pintando ao ar livre e a ensinar o povo, demonstrando um programa simbólico muito significativo, próprio do novo regime político. Tomás da Anunciação, João Cristino da Silva, José Rodrigues, Francisco Metrass e Vitor Bastos (o único escultor do grupo de pintores) reivindicam assim a vontade de pintar ao ar livre, criticando deste modo a formação neoclássica conservadora.
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Detalhe com o Palácio da Pena de Cinco Artistas em Sintra - 1855 - MNAC
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A obra contribuiu também para a identificação de Sintra como paisagem romântica.
Miguel Ângelo Lupi – (1826-1883) –
Começou os seus estudos na Academia de Belas Artes que abandonou pouco depois. Lupi continuou a pintar, recebendo em 1860 uma encomenda que lhe trouxe o êxito: um retrato de D. Pedro V. Cultivou a pintura de História, mas foi no retrato que mais se destacou. Partilhou o gosto românticos de pintar o exótico e popular.
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Camponesa -1875 - Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves ou CMAG
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Aguadeira de Coimbra - 1879 - MNAC
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Os pretos de Serpa Pinto; Os dois escravos; A preta Mariana e o Preto Catraio - 1876 - MNAC
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Os seus retratos demonstram penetração psicológica pois captam a interioridade e intimidade dos modelos.
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Retrato da Marquesa de Belas, 1874 - MNAC - Museu do Chiado
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Retrato de D. Maria das Dores Martins - Mãe do dr. Sousa Martins – 1878 - MNAC
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Retrato do poeta Raimundo Bulhão Pato - 1882 - MNAC
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Francisco Augusto Metrass – (1825 – 1861) -
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Auto retrato um ano antes de falecer - 1860
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Em 1836 entrou para a Academia de Belas Artes de Lisboa, e em 1844 partiu para Paris e Roma. No regresso a Lisboa realizou uma exposição. Não havendo qualquer reacção do público ou da crítica, Metrass regressou a Paris e foi aí que, a partir de 1850, o seu talento começou a ser reconhecido, destacando-se, na pintura histórica.
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Inês de Castro pressentindo os assassinos – 1855 - MNAC
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O ano de 1856 trouxe-lhe a consagração com um dos seus quadros mais célebres ”Só Deus” que retrata uma cena do dilúvio, onde uma mulher, tendo nos braços uma criança, é arrastada pelas águas.
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Só Deus - 1856 - MNAC
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No apogeu do seu talento, e depois de ter pintado uma grande obra histórica intitulada Camões lendo os Lusíadas, a tuberculose não o deixou ir mas longe: em 1861, aos 36 anos, morreu na ilha da Madeira, deixando a sua obra incompleta».
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Camões na Gruta de Macau –Museu do Chiado, Lisboa
A imagem de Camões é o seu auto-retrato
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Luís de Meneses ou Visconde de Meneses - (1820-1878) -
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Auto-retrato -
Visconde de Meneses - MNAC
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Em 1834 veio para Lisboa, onde frequentaria a Academia de Belas Artes de Lisboa.
Recomendado pelo Rei D. Fernando, amigo da família, e financiado por seu pai, partiu para Itália em 1844, com Francisco Metrass.
Quando regressou optou pela pintura de retratos, revelando grande sensibilidade e talento.
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Retrato da Viscondessa de Menezes, D. Carlota -1862 - MNAC
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Leonel Marques Pereira – (1828- 1892)
Concluiu o curso da Academia de Belas Artes e exerceu na Direcção Geral de Engenharia Militar o cargo de desenhador. Praticou a pintura de costumes, fixando cenas tradicionais e pitorescas em pequenas telas executadas com todo o pormenor e a preocupação documental de um fotógrafo.
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Bailarico - Museu do Chiado - MNAC |
Com pincelada curta e uma paleta garrida os seus quadros satisfizeram o gosto do público. Uma das raras excepções no campo da pintura em que aparece representado o comboio é seu quadro de 1872, intitulado “Os Reis D. Luiz e D. Maria Pia”, existente no Palácio da Ajuda.
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Os Reis D. Luiz e D. Maria Pia – 1872 - Palácio Nacional da Ajuda
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Francisco José Resende - 1825-1893
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Auto-retrato - 1860 - Museu Nacional de Soares dos Reis
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Foi um pintor e escultor portuense, discípulo de Roquemont e muito influenciado por ele. Em 1854, esteve em Paris, pensionado por D. Fernando, então regente. Nos seus quadros, tratou com frequência tipos e costumes portugueses e fez numerosos retratos.
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Barco com pescadores de Matosinhos aportando a uma praia da foz do rio Leça – 1887 – P. Nacional da Ajuda
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Detalhe de Barco com pescadores de Matosinhos aportando a uma praia da foz do rio Leça – 1887 – P. Nacional da Ajuda
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Detalhe de Barco com pescadores de Matosinhos aportando a uma praia da foz do rio Leça – 1887 – P. Nacional da Ajuda
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